Arquiteto vira designer de sapatos por acaso e tem criações usadas por Madonna e Sabrina Sato

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Fernando Pires fazia sapatos para Hebe Camargo Arquivo/AT e Reprodução Fernando Antônio Pires, de 72 anos, se define como um arquiteto de formação e um designer de sapatos de vocação. O que começou como uma brincadeira se transformou em uma carreira internacional, com criações que chegaram aos pés de celebridades como Madonna e Hebe Camargo. Em entrevista ao g1, o designer relembrou como entrou no mercado de sapatos, contou histórias envolvendo celebridades e falou sobre modelos que marcaram a carreira. Nos anos 1990, suas criações chegaram a ser vendidas em mais de 60 lojas multimarcas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Hoje, Pires trabalha em ritmo reduzido. Depois de fechar a loja e a fábrica, passou a aceitar apenas encomendas específicas, principalmente durante o Carnaval ou quando considera o projeto especial. "Depois do Carnaval, eu falei: 'Basta. Vamos fazer só quando for muito interessante, uma cliente muito querida'. Então, estou meio escondido, ninguém nem sabe onde me achar", brincou o designer, que voltou a morar em São Vicente (SP) para ficar mais perto da mãe, de 91 anos. Veja a entrevista completa abaixo: Agora no g1 Como um arquiteto descobriu que tinha talento para criar sapatos? Coisas do destino. Terminando a construção da casa de uma cliente, eis que ela sugere produzir sandálias rasteiras para atender à demanda em Santos no inverno. Essa moça, que virou minha sócia, dizia que Santos não tinha coleção de inverno que tivesse peças de verão. Era tudo bota, botinha, sapato fechado, e Santos não fazia esse frio. Aí ela falou: "A gente quer comprar uma sandália nova no inverno e não tem". Começamos a fazer sandalinha, de brincadeira. Eu fiz uma com um sapateiro vizinho da minha casa, aqui em São Vicente, e levei para ela. Ela vendeu na hora para uma prima dela, que amou. Eu falei: "Vamos fazer mais". Nunca pusemos dinheiro. Fui, comprei o material e fiz duas. De duas, eu fiz quatro. De quatro, 16. De 16, 64. E foi aumentando. Quando eu vi, eu tinha virado sapateiro. Eu não me dei conta, foi tudo muito natural, sem "eu vou ser isso, eu vou fazer". Quando eu percebi, eu já estava fazendo e apaixonado. Daí nasceu a "Ponto de Apoio" em 1983, que durou até o final de 1989. Fernando Pires já fez sapatos para Madonna e Sabrina Sato Reprodução/Harper’s Bazaar e Divulgação Em que momento percebeu que seus modelos tinham se transformado em uma marca reconhecida no Brasil e no mundo? A partir de 1990, quando nasce "Fernando Pires", já caindo nas graças de artistas. Celebridades como Madonna, Hebe Camargo, Cláudia Raia e Sabrina Sato já usaram suas criações. Como elas chegaram até você e qual encontro mais te marcou? Elas foram chegando espontaneamente, pelo boca a boca. A Hebe Camargo. Foi a Marília Pêra que foi na Hebe falar sobre o espetáculo dela, "Elas por Ela". A Marília foi com um sapato meu e a Hebe perguntou no intervalo: "Nossa, que sapato é esse?". A Marília falou: "Ah, é do Fernando Pires, você não conhece?". Ela: "Não". Isso foi em 1990. Foi antes da Cláudia Raia até. A Marília me contou depois, né, que ela pediu para a Hebe fazer aquela pergunta no ar, ao vivo. Era o intervalo do programa e ela queria que ela perguntasse do sapato para poder falar meu nome. A Hebe perguntou de novo. E aí começou, a Marília falou: "Que número você calça, Hebe?". "37, sapatão", ela falou brincando, né? A Marília falou: "Não imagina, 37 é um número normal", e aí ela olhou para a câmera e falou: "Fernando, manda um sapatinho desse para a Hebe". Era um sapato de camurça preta, um scarpin, e ele tinha recortado, na lateral externa, o skyline de Nova York. O da Marília era preto com amarelo porque o vestido dela era amarelo. Para a Hebe, eu fiz preto e dourado porque ela era mais perua, né? A Hebe já fez o programa com o sapato e aí começou a nossa relação. Fernando Pires descobriu por acaso talento para criar sapatos Arquivo/AT E a Madonna? Você chegou a falar com ela? Não. Só falei com o irmão dela, com o Christopher, que já é falecido, inclusive. Ele foi na loja no dia seguinte que eu entreguei o sapato. Ele falou: "Olha, ela amou, ela está doida para vir aqui", mas imagina, eu tinha uma lojinha de 20 metros quadrados na Alameda Franca, quase esquina com a Augusta. Minúscula. Ele falou: "Se ela vier aqui, o povo vai destruir a sua loja porque tem centenas de pessoas acampadas na porta do hotel, gritando Madonna dia e noite. A Augusta está parada, não dá para passar. Então, ela não pode vir. Então, vim aqui para conhecer o restante da coleção". Ele bateu o olho em uma sandália de camurça preta com umas ponteiras douradas, passante dourado, fivela dourada e falou: "Nossa, a cara dela". Falei: "Tome, 37, leve de presente para ela". E foi a sandália que virou a sandália da Madonna. Eu passei aquele ano de 1993 fazendo a mesma sandália. Todo mundo, o Brasil inteiro queria, é uma coisa que atingiu fronteiras porque eu conheci gente do Canadá depois de um tempo que já tinha escutado falar de mim lá. Com o pessoal da Air Canada, a tripulação, fizemos amizade, e eles: "Nossa, a gente ouviu falar de você, que calçou a Madonna". Correu o mundo. Foi o momento em que fiquei mais feliz porque Madonna para mim era o suprassumo do melhor que existia. Existe algum sapato que você criou e nunca conseguiu esquecer? O sapato "Escada", em 1992, que tinha uma plataforma com quatro degraus. Ele fez muito barulho. Ele está em um livro de design brasileiro; chegou a ir para um museu em Londres, ficou lá um tempo exposto. Então, foi assim o que mais me marcou. Por isso e por ter um design completamente diferente, nunca vi ninguém fazer um sapato "escada". A plataforma é uma escadaria. Ele era, na época, absurdamente alto. Falei: "Gente, que absurdo, quem vai andar com isso?". Fiz um desfile com ele e a modelo tinha que andar de pé, mas abrindo a perna. Senão, ela tropeçava porque a plataforma ia alargando. Ele ficou muito tempo guardado e foi praticamente se dissolvendo; aí eu fiz outros. Era muito alto; a gente se assustava. Só quem usou e fotografou com ele foi a Sabrina Sato. Ela tem uma bota com essa altura, 30 centímetros de salto. Quando Pedro, o stylist dela, me pediu, eu falei: "Você tem certeza, você quer quebrar as pernas dela, é isso?". Quando ele me devolveu, eu perguntei para ele: "Ela conseguiu dar um passo?". Ele falou: "Você tá brincando comigo, né? Ela sambou com o sapato". Falei: "Não, só ela consegue isso". Fernando Pires construiu uma carreira internacional com sapatos Arquivo Pessoal e Arquivo/AT Atualmente, você ainda faz sapatos? Como funciona o processo de criação? Estou fazendo muito pouquinho porque eu fechei a loja em 2014. Eu tive uma época de muito sucesso, durante três décadas. Daí eu fechei a loja e continuei fazendo sob encomenda. Hoje, eu estou fazendo muito pouco, mesmo assim, sob encomenda. Estou fazendo um sapato agora para a Nany People, que ela tem esse sapato e a Patricia Abravanel ficou apaixonada. Aí a Nany encomendou para dar de presente para a Patrícia. Então, é assim. Alguém me liga: "Dá para fazer um sapato? Dá para fazer uma bota?". E o Carnaval, né? Carnaval é uma loucura. Eu passo 45 dias enlouquecido, fazendo muita coisa. Os sapatos são sempre handmade [feitos à mão]. Eu desenho, compro pessoalmente os materiais e acompanho a produção dos mesmos. Quanto custam os seus sapatos? Em média, R$ 1,4 mil os sapatos, e R$ 1,9 mil as botas, sempre sob encomenda. Quais características marcam um sapato de Fernando Pires? Sempre a plataforma acompanhada de salto alto, mas com leveza e feminilidade, sempre abusando da sensualidade. Fernando Pires na antiga fábrica de sapatos em São Vicente, em 2004 Arquivo/AT VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/08/16/arquiteto-vira-designer-de-sapatos-por-acaso-e-tem-criacoes-usadas-por-madonna-e-sabrina-sato.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Anunciantes