Do macarrão à carbonara a esquema bilionário: como restaurante de MC Ryan SP entrou na mira da PF
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação da PF
Reprodução YouTube
O Bololô Restaurant & Bar, estabelecimento de MC Ryan SP que viralizou nas redes sociais pelo "macarrão à carbonara", tornou-se um dos alvos centrais da Operação Narco Fluxo. A investigação da Polícia Federal aponta que o local, situado na Zona Leste de São Paulo, integrava uma complexa engrenagem bilionária de lavagem de dinheiro proveniente de apostas ilegais e tráfico de drogas.
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Ryan foi preso na manhã de hoje (15) em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista.
MC Ryan é preso em operação da Polícia Federal
O "carbonara" na planilha da PF
Inaugurado em setembro de 2023, o restaurante já nasceu com status de ponto turístico para os fãs de funk. O local foi imortalizado nos versos de "Let’s Go 4", hit em que o funkeiro MC GP canta sobre jantar no estabelecimento do amigo e pedir o carbonara — prato que se tornou o carro-chefe da casa.
Entretanto, para os investigadores, o sucesso de público servia a um outro propósito. A decisão da 5ª Vara Federal de Santos detalha como a estrutura empresarial de Ryan era utilizada:
Mistura de Capitais: O grupo utilizava empresas de entretenimento e gastronomia para mesclar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais.
Duto Financeiro: O restaurante é citado como parte da rede de "blindagem patrimonial" e integração de capitais ilícitos à economia formal.
Bloqueio Judicial: A Justiça determinou o sequestro de bens e valores da Bololô Restaurant & Bar Ltda, dentro do limite global de R$ 1,63 bilhão estipulado para o grupo.
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Imagens divulgadas nas redes sociais da produtora (@bololorecord) de MC Ryan SP, um dos sócios fundadores do selo.
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A lógica do "Bololô"
A marca "Bololô" não se limita à cozinha. A operação também mirou a Bololô Records Ltda, produtora fonográfica do artista, reforçando a tese de que o setor artístico era o eixo central para a circulação de valores pulverizados.
Segundo a PF, o esquema movimentou R$ 1,6 bilhão e utilizava técnicas como o smurfing — centenas de transferências fracionadas em pequenos valores para evitar o radar do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
A ação teve ainda como alvo o funkeiro MC Poze do Rodo, que foi preso. Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram detidos na operação, assim como outros produtores de conteúdo.
A operação cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em diversos estados.