Haddad defende mudanças em concessões, diz que Faria Lima terá de 'esperar um pouquinho' e critica ausência de Tarcísio em debate
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Fernando Haddad, candidato a governador de São Paulo, em debate na Record.
Antonio Chahestian/Record
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou a ausência do governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao debate organizado pela Record nesta segunda-feira (21). Sem Tarcísio, o evento se transformou em uma sabatina.
“Queria lamentar profundamente a ausência do meu concorrente Tarcísio de Freitas. Temos juntos 90% [das intenções] dos votos, quase a totalidade dos votos válidos. Era uma oportunidade da gente de fazer um confronto de ideias para dar oportunidade ao eleitor de decidir qual é a melhor opção para São Paulo”, afirmou.
Em nota, a campanha de Tarcísio afirmou que o candidato não participaria do debate porque, nesta reta final, pretende conciliar a agenda de campanha pelo estado com as responsabilidades de governo.
“Os principais temas da eleição têm sido debatidos diariamente ao longo da campanha. Nesta reta final, a prioridade será conciliar a agenda de campanha pelo estado com as responsabilidades de governo. Tarcísio seguirá apresentando propostas, prestando contas do trabalho realizado e atendendo a imprensa durante suas agendas”, diz o texto.
Nesta segunda, Tarcísio participou de um encontro com jovens na sede administrativa do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) no Itaim Bibi, Zona Oeste de São Paulo.
Entre os temas abordados, Haddad falou que, se eleito, vai rever contratos de concessão e não pretende privatizar novas linhas de trem e de metrô. Ao defender que o estado priorize o interesse dos usuários em relação ao setor privado, o candidato disse que a “Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho”.
“Antes de pensar em vender, porque agora só se fala em vender tudo para iniciativa privada, que lucra em cima da população, mas não estamos vendo o interesse do usuário. O estado sob meu comando vai colocar o interesse do usuário na frente do interesse do setor privado, a Faria Lima vai ter que esperar um pouquinho", disse.
“Não vou privatizar as linhas do metrô, nem as novas, nem as que não foram privatizadas, porque isso não está dando certo para os usuários, porque está com mais falhas agora do que antes de ser privatizada.”
Na sequência, o candidato afirmou que pretende interromper novas privatizações e cobrar mais das empresas que já operam serviços públicos.
“Vamos parar com o esquema de vender tudo, vou parar com essa venda e botar o setor privado na linha, precisamos de cláusulas mais duras contra o sistema privado, que tem muito apetite para lucrar e pouco para entregar.”
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Crime organizado
Durante a entrevista, Haddad também foi questionado sobre as investigações envolvendo contratos públicos e suspeitas de ligação entre agentes públicos e organizações criminosas.
Ao responder, ele citou investigações do Ministério Público em diferentes áreas da administração municipal de São Paulo, como transporte público, iluminação, sistema funerário e rede de Wi-Fi.
O candidato do PT disse que, durante sua gestão como prefeito de São Paulo, não houve, segundo ele, denúncias do Ministério Público de corrupção em contratos do transporte público. Ele citou ainda o combate à chamada “máfia da Feira da Madrugada” como exemplo de sua administração.
Haddad também mencionou o ex-presidente da Câmara Municipal da capital Milton Leite e afirmou que Tarcísio pediu votos recentemente para os filhos do político na Zona Sul da capital. Leite é investigado na Operação Vectura Corrupta por suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus.