Palmeirense e espectador do Mirassol, arcebispo une futebol e fé para alcançar jovens no interior de SP: 'Bom conjunto'

  • 29/05/2026
(Foto: Reprodução)
Arcebispo de Rio Preto une futebol e fé, acompanha o Mirassol e torce pelo Palmeiras Nem só de missas, encontros pastorais e celebrações vive o arcebispo metropolitano de São José do Rio Preto (SP), Dom Antônio Emídio Vilar. Quando a agenda permite, o religioso troca a batina pelo uniforme esportivo e entra em campo para jogar futebol. O compromisso esportivo tem data e horário: toda terça-feira à noite. O jogo de futebol é um hábito que acompanha a trajetória do arcebispo desde a infância e que, segundo ele, ajuda a aproximar os jovens da Igreja Católica. Palmeirense, Dom Antônio também acompanha o desempenho do Mirassol Futebol Clube, time do interior de SP que disputa a Copa Libertadores da América. Ele já esteve no estádio em duas oportunidades. Leia mais abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp À frente da arquidiocese em São José do Rio Preto, Dom Vilar tenta reservar ao menos um momento semanal para o futebol. "Às vezes não dá certo, mas eu agendo para poder ter esse cuidado do esporte e jogar bola", conta ao g1. Dom Antônio Emidio Vilar, arcebispo de São José do Rio Preto (SP), em dois momentos: com a batina e com o uniforme de jogador de futebol, autografando uma bola Mário Policeno/g1 e Arquidiocese de Rio Preto/Divulgação As partidas, segundo ele, estão longe de serem protocolares. Embora não tenham caráter competitivo, reúnem jogadores experientes e apaixonados pelo esporte. "Tem muitos ali que já foram esportistas. Alguns estiveram em times e praticaram futebol. Não é um campeonato, mas a turma é realmente capaz de jogar um bom futebol e tem destreza", conta aos risos. Um dos companheiros constantes dentro do campo é o padre Ernesto Oliveira Rosa, da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, em Rio Preto, que realizou em março o torneio do qual o arcebispo participou. Da infância ao seminário Dom Vilar bate bola desde criança. Houve tempos em que o jogo era diário, seja aos 11 anos ou no seminário. O costume atravessou décadas, acompanhando diferentes fases da vida religiosa. "Depois que eu me tornei padre, sendo formador no meio dos jovens, eu tinha prática regular. Como bispo, tive oportunidade também de dar continuidade ao futebol", conta. O arcebispo admite que nem sempre saiu ileso dos gramados. "Eu machuquei o pulso uma vez, mas não alterou meu ritmo. Foi só o pulso mesmo", diz. Ele reclama também das tendinites. Não fosse por elas, garante que atuaria até como goleiro. Hoje, Dom Vilar se contenta em correr pelo campo, demonstrando que é polivalente: joga no ataque, no meio-campo ou na defesa. Veja vídeo no topo da reportagem. A posição depende apenas das habilidades dos outros jogadores disponíveis naquele dia. As lembranças mais marcantes jogando futebol vêm dos tempos de sua formação religiosa. Em Lorena (SP), enquanto estudava filosofia, Dom Vilar integrou um time que conquistou títulos em torneios internos. Mais tarde, em Roma, onde cursou teologia, também participou de campeonatos universitários. "Nós tínhamos campeonatos regulares e sempre ficávamos em primeiro ou segundo lugar", recorda. Dom Antônio Emidio Vilar, arcebispo de São José do Rio Preto (SP), dentro de campo (na primeira foto, com o padre Ernesto, à esq.), em torneio recente promovido por paróquia local, e ao final, com o troféu nas mãos: futebol como ponte entre a Igreja e os jovens Arquidiocese de Rio Preto/Divulgação LEIA TAMBÉM: 'Neymar de Penápolis': conheça o sósia que perdeu visão em acidente, desistiu do futebol e passou a se dedicar a projetos sociais Baterista que aprendeu a tocar em panelas no interior de SP vira chefe do próprio ídolo em faculdade de música nos EUA: 'Nunca imaginei' Com roupa feita pelo tutor, cabrita passeia de coleira, convive com cães e gatos e vira celebridade no interior de SP Acolhimento de jovens Para Dom Vilar, o futebol vai além da prática esportiva ou do lazer. O arcebispo vê na bola uma possibilidade concreta de convivência e acolhimento, especialmente entre os jovens. Ao falar sobre juventude, ele cita a tradição salesiana de Dom Bosco, marcada historicamente pelo incentivo ao esporte e às atividades coletivas. "O pátio é onde se conhece melhor o jovem do que dentro de uma sala de aula", afirma. Segundo o religioso, atividades esportivas contribuem não apenas para o desenvolvimento físico, mas também emocional e espiritual. "A convivência, a confraternização, isso tudo é educativo", destaca. Na avaliação dele, a igreja precisa investir continuamente nesse tipo de aproximação. "Temos que incentivar o cuidado com o corpo, com a saúde mental e a convivência. O esporte é uma arma excelente para o crescimento e desenvolvimento da pessoa como um todo", aponta. Na arquidiocese de Rio Preto, o trabalho é desenvolvido especialmente pelo setor arquidiocesano da juventude, que promove torneios e encontros esportivos entre grupos e paróquias. "Já tivemos torneio de futebol, atividades de vôlei, várias iniciativas. Existe até a ideia de promover novamente campeonatos entre paróquias, como já aconteceu anteriormente", diz. Dom Antonio Vilar, arcebispo diocesano de São José do Rio Preto (SP), entusiasta do futebol como instrumento de conexão entre a Igreja e os jovens André Botelho/Arquidiocese de Rio Preto Copa do Mundo Assunto que mobiliza brasileiros, a Copa do Mundo, que começa no dia 11 de junho, desperta memórias de edições passadas no arcebispo. Com 68 anos, Dom Vilar acompanha o torneio desde a juventude e lembra de detalhes de praticamente todas as edições de lá para cá. A primeira grande lembrança vem de 1970. "A televisão era em preto e branco e não tinha som. Nós acompanhávamos pelo rádio. Eram imagem e rádio juntos", conta. Initial plugin text Entre todas as Copas, a mais traumática para Dom Vilar continua sendo a de 1982. À época, ele morava na Itália e viu de perto a eliminação da Seleção Brasileira para os italianos, no estádio Sarriá, na Espanha. "O Brasil tinha Falcão, Zico, Sócrates, Toninho Cerezo… era o favorito de todos", relembra. "Aquele 3 a 2 que a Itália fez no Brasil quebrou as pernas", lamenta. A derrota ganhou um peso ainda maior pelo contexto em que Dom Vilar vivia. "Os italianos falavam para mim: 'O Brasil somos nós'. Você imagina o carão que eu tive de enfrentar com a derrota", brinca. Para a próxima Copa, Dom Vilar mantém uma esperança cautelosa. Ele acredita que a seleção brasileira possui qualidade individual suficiente para competir em alto nível, mas ainda carece de entrosamento coletivo. "O Brasil tem quatro ou cinco times em nível bom, mas precisa de maior conjunto de jogo", avalia. O arcebispo também comentou a convocação de Neymar e classificou a decisão como "um risco enorme" diante da condição física do jogador. Apesar disso, acredita que o atacante ainda pode contribuir se for utilizado de maneira estratégica. "A menos que nos treinamentos ele convença o treinador, não deveria ser titular imediato", afirma. Dom Antônio Emidio Vilar (de camiseta vermelha), arcebispo de São José do Rio Preto (SP), dentro de campo: futebol jogado religiosamente às terças-feiras, à noite Arquidiocese de Rio Preto/Divulgação Palmeiras X Mirassol Torcedor assumido do Palmeiras desde os tempos da "Academia de Futebol", Dom Vilar cita nomes históricos como Ademir da Guia, Dudu e Leão ao explicar sua paixão pelo clube paulista. O arcebispo também demonstra carinho especial pelo Mirassol, representante da região de Rio Preto no cenário nacional e na disputa pela Libertadores da América. Ele já esteve duas vezes no Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o Maião, e diz acompanhar a campanha da equipe do interior de SP. "Tenho acompanhado o Mirassol. Tem boa gestão, bom conjunto de jogo", afirma. Dom Antônio Emidio Vilar (de camiseta vermelha), arcebispo de São José do Rio Preto (SP), dentro de campo: futebol jogado religiosamente às terças-feiras, à noite Arquidiocese de Rio Preto/Divulgação Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/05/29/palmeirense-e-espectador-do-mirassol-arcebispo-une-futebol-e-fe-para-alcancar-jovens-no-interior-de-sp-bom-conjunto.ghtml


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